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JULIANA PRADO
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O processo está em andamento e os ventos parecem mesmo soprar a favor. No último dia 5 de outubro, representantes da prefeitura e das entidades responsáveis por implantar os pólos em várias regiões do Rio estiveram reunidos com comerciantes e empresários no Largo do Machado. O grupo reúne, além da Prefeitura, o Sebrae, o SindRio, a Associação Comercial, Federação do Comércio e Banco do Brasil. Esses órgãos entram como braços do programa, que é implantado de acordo com as características e os atrativos principais de determinada região da cidade.
Em linhas gerais, trata-se de incentivar o chamado associativismo, usando a iniciativa privada como meio de sustentação de um processo para melhorar a qualidade de vida daquele espaço urbano. “Esse programa tem o objetivo de usar a experiência destas instituições e a capilaridade do poder público junto a seus diversos órgãos e daí interagir para construir juntos propostas comuns”, explica o diretor de Polos da Prefeitura do Rio, José Augusto da Costa e Silva. Ele foi o responsável por detalhar o programa aos empresários do Largo do Machado e incentivar o avanço do processo na região. |
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ADESÃO É FUNDAMENTAL
Mas, se existe um ponto imprescindível para que o programa se torne realidade, é a vontade dos comerciantes.
Costa e Silva explica que, para funcionar bem, ele depende, fundamentalmente, do envolvimento dessas pessoas, de pensarem uma ação coletiva. “Eles precisam se reunir e pensar: 'bom, nós queremos ser um pólo, queremos ter uma interlocução institucional com a prefeitura, com essas instituições do terceiro setor. Então a condição é que haja desejo'”.
E o projeto vai além do desenvolvimento econômico das empresas envolvidas. “O trabalho passa por pensar melhorias no atendimento, qualificação de funcionários, promoções conjuntas e fortalecimento da área como centro de consumo”, explica o diretor de pólos, para depois emendar: “Mas passa também pelo compromisso com o entorno, com as posturas municipais. Não adianta: é preciso pensar não apenas no resultado, no lucro, mas nas relações com o local, com a vizinhança”.
E já tem gente de mangas arregaçadas. Entusiasta do projeto, o gerente do Restaurante Estação Largo do Machado
Fernando Seoane, diz estar esperançoso. “Essa é a primeira vez que vejo isso acontecer por aqui. Pelo visto, vai dar resultados. Mas as coisas só melhoram se as pessoas se juntarem”. Seoane ressalva que também é cético e que os envolvidos têm que abandonar o discurso preguiçoso, do eterno “isso não vai dar em nada”. “Com boa vontade a gente toca isso”, afirma, empolgado com as possibilidades a serem criadas com o Polo Circuito Largo do Machado.
A sócia da loja e da marca Gustavo Vasques, Amélia Vasques, que também participou do encontro com os representantes do projeto, também está otimista.
“Senti mobilização das pessoas, vontade mesmo de fazer alguma coisa pelo bairro. Nós cansamos de lutar sozinhos”. Para Amélia, os comerciantes e a própria comunidade, depois de tanto buscar melhorias, finalmente amadureceram para encarar um projeto coeso, com potencial de mudanças concretas. “Acho que agora é a hora boa”, decreta.
O diretor de Polos faz coro: “estamos muito satisfeitos com essa iniciativa dos empresários do Largo do Machado. É prova de que eles querem pensar juntos as soluções para seus próprios negócios e para a região”. |
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COMBATE AOS GARGALOS
Fruto da união dos comerciantes e do incentivo da
Associação dos Amigos do Largo do Machado - AALMA e também da
revista Circuito, a investida busca eliminar vários gargalos registrados, há tempos, na área. A campanha “Por um Largo do Machado dos Nossos Sonhos”, lançada no meio do ano, buscou despertar a comunidade para os seus problemas. E eles não são poucos. Vão da falta de investimentos para impulsionar a economia da região até questões básicas, como limpeza urbana precária e segurança pública falha.
Agora, com o compromisso dado pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico Solidário – que implanta os pólos -, a meta é focar nas especificidades da região e criar o grupo de forma a se tornar um agente transformador. A princípio, a ideia era criar um pólo gastronômico, em função do grande número de bares e restaurantes do entorno. Mas também há chances de ampliar e investir em outras áreas, como a de vestuário, por exemplo. Tudo isso será alvo ainda de muitas conversas e negociações durante o processo de formatação do
Polo Circuito Largo do Machado.
Hoje, existem 22 polos em funcionamento no Rio de Janeiro e, segundo o Executivo, há várias outras regiões pleiteando a criação do seu. “Há uma demanda muito grande pela implantação de novos pólos em outras áreas da cidade, como Grajaú, Jacarepaguá, Méier...”, informa o diretor do projeto.
Enquanto comemoram os passos de formiga – custosos, mas vitoriosos -, os envolvidos no programa não perdem de foco uma realidade: qualquer recuo pode ser perigoso e levar tudo o que foi construído até agora para a estaca zero. Por isso, a união de cada vez mais gente em torno do projeto é fundamental. Afinal, não há mistério. Qualquer um se lembra se olhar para trás, puxando as memórias de infância: nas fábulas mais remotas, a cigarra até canta bonito, mas quem trabalha, de verdade, são as formigas. |
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A proposta, na hora de se implantar o Polo do Rio em determinada área, é criar um ambiente propício para melhorias em vários setores e na qualidade de vida daquela região. Nessa entrevista, o assessor técnico da Subprefeitura Zona Sul,
Paulo Nascimento, fala da viabilidade do programa e sustenta que outras áreas já atendidas tiveram ganhos. “A proposta é criar uma oportunidade de revisão daquela área urbanística, e não só da atividade econômica. É uma forma de revitalização”. Mas ele alerta, fazendo coro a uma espécie de “protocolo informal” do projeto: na medida em que as etapas se cumprem, a prefeitura passa a ser coadjuvante, e os empresários é que se tornam os reais agentes das mudanças. |
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Circuito:
Qual a viabilidade do projeto “Polos do Rio” para o Largo do Machado e quais os reais resultados alcançados em outras áreas da cidade?
Paulo Nascimento: Nos lugares onde estão implantados os polos na Zona Sul da cidade, eles representaram uma mudança significativa. Os polos se tornaram uma oportunidade de revitalização, não só de desenvolver o universo gastronômico (de determinada área), mas também de trazer para a região um desenvolvimento, uma revitalização urbana, promovendo uma melhor qualidade de vida.
Como os polos podem, efetivamente, se tornar realidade? Paulo Nascimento:
A partir desses primeiros encontros, desperta-se o interesse maior de todos os setores da sociedade em rever padrões e hábitos e de estabelecer uma nova maneira de vida, praticamente. Então você tem um impacto no próprio desenho urbano. A ambiência, as apresentações urbana se tornam melhores, é uma gestão específica que se traz para aquele espaço. A prefeitura entra numa parceria intensificando os serviços públicos, como a limpeza urbana, a segurança em parceria com o Estado, a guarda municipal fica mais presente.
A idéia seria, então, vendo aquele ambiente criado de uma forma organizada por meio do polo, atuar naquela área de uma forma mais incisiva, é isso?
Paulo Nascimento: A parceria é essa. A proposta do projeto “Polos do Rio” é criar uma oportunidade de revisão daquela área urbanística, e não só da atividade econômica. É uma forma de revitalização. Você cria um foco para a revitalização acontecer. O trabalho do dia a dia dos serviços públicos tende a ocorrer de uma forma padrão, de uma forma média, e nesses locais (onde tem os pólos) se intensifica a prestação daquele serviço. Uma vez que vai ter um retorno para todos os setores da sociedade, aquilo vai representar um ganho geral. E o próprio município também, é claro, ganha.
E o que está faltando para o programa deslanchar no Largo do Machado?
Paulo Nascimento: Nós tivemos duas reuniões, uma primeira, geral, onde o interesse apareceu da parte de alguns empresários. A gente então passou para uma segunda reunião e nesse momento já com a participação da Secretaria Especial de Desenvolvimento Econômico e Solidário, que expôs o projeto. Foi uma reunião preparatória, onde procuramos ouvir os prováveis participantes. Daí se tirou uma pauta para que os empresários participassem e se ampliasse
esse grupo. É que o número mínimo de participantes é em torno de 20 a 25 empresários.
O pequeno comerciante pode entrar?
Paulo Nascimento: Não existe critério excludente. O importante é que haja uma motivação, que seja um condutor de um processo que vá agregando cada vez mais gente e cada vez mais setores. O objetivo é ligar a comunidade.
Existe um prazo médio para o processo estar concluído?
Paulo Nascimento: Não trabalhamos com prazo, trabalhamos com o processo. Na medida em que as etapas vão se cumprindo (claro que vai depender muito do interesse dos participantes) a prefeitura passa à coadjuvante. O pró-ativo é o empresário, ele é o ponto ativo, principal. A partir daí, a associação e a qualidade de intensidade dessa associação é que vão determinar a velocidade de implantação do polo.
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