No início do texto foi definido o significado geral de reumatismo, apresentado exemplos de patologias reumatológicas e bem como os mecanismos mais comuns de diagnóstico (sinais, sintomas, sangue e imagens). A melhor parte do texto chegou agora, porque justamente no artigo do colega, neste momento trataremos dos casos que apresentam sinais, sintomas, sangue e imagens que indicam reumatismo mas não são reumatismo. Como aquele famoso anúncio de shampoo anti-caspa dos anos 80, “Parece mas não é”.
     Voltando ao artigo, pois ao citar mais sobre ele, descrevo o caso assistido pelo Dr. François que na minha opinião era um pseudo-reumatismo e apresentou-se como outros casos que tenho recebido.
     Um moça de 28 anos, procurou-o já com o diganóstico fechado da patologia reumatológica, felizmente, ele exerceceu a sua autonomia técnica jurídica que lhe é garantida na Espanha (e também aqui no Brasil), de fazer seu próprio exame e chegar a seu próprio diagnóstico bem como apresentá-lo ao paciente e a partir deste ponto foi ela (paciente) quem decidiu qual tratamento iria seguir.
     Ao analisar o exame de sangue, o colega percebeu que o diagnóstico havia sido fechado apenas pela presença do antígeno HLA-B27 positivo (signnifica antígeno leucocitário humano). O HLA b 27 é uma proteína que fica na parte superior dos leucócitos. Está presente em 80% de brancos que são acometidos de pelvispondilite anquilosante porém isoladamente é falha para a construção de diagnóstico pois dentro desta própria etnia, existem potencialmente 20% das pessoas que nunca terão positividade para esta proteína e podem vir a desenvolver pelvispondilite anquilosante. Prosseguindo na análise de sinais e sintomas ele constatou que a paciente não tinha dor para subir ou descer escadas (o quê indicaria dor na art. Sacro-ilíaca com inflamação), as imagens de rx não tinham qualquer sinal da espondilite e o único sintoma da paciente, era dor matinal quando rodava o tronco que poderia facilmente ser imputada à disfunções biomecânicas diversas. Como desnível das art. sacro-ilíacas (bacia). O Dr. François também percebeu alterações posturais e tratou a todas. Segundo o artigo a paciente pôde receber alta por completo restabelecimento em três atendimentos (não menciona os intervalos entre os atendimentos). Mesmo apresentando a positividade do antígeno HLA – B 27.
     Este é um típico exemplo do que qualifico como pseudo-reumatismo e que tanto tenho recebido em prática clínica diária.
     O artigo menciona como uma das suas muita referências, parâmetros internacionais de reumatologia (que conheço e já sigo), eles apontam como sintoma de alerta, a dor lombar irradiada para a parte inferior da pelve na região anterior e para suspeitar mais fortemente ainda deste tipo de reumatismo, é necessária a positividade em mais duas provas sanguíenas, das descritas no início do texto. Para os outros tipos de reumatismo, no mínimo três provas positivas, antes de pensar em diagnóstico de reumatismo.
     Tentando resumir um assunto longo, o reumatismo envolve a tríade: sistema imunológico x inflamações x órgãos internos (esta última em maior ou menor intensidade) podendo ou não gerar dores articulares. É imprudente e perigoso para os pacientes, um profissional emitir diagnóstico clínico de reumatismo, apenas por uma prova sanguínea de atividade imunológica-inflamatória e ou uma única sintomatologia de dor articular.
     Em respeito a autonomia plena dos pacientes, recomendo a eles (pacientes) que assumam uma postura de maiores questionamentos, diante daqueles que se propõem a cuidar de sua saúde (me incluo no grupo, dos que devem ser questionados sempre) que busquem ouvir opinião sobre suas dores articulares e alterações posturais, preferencialmente com profissionais de sua inteira confiança, independente da especialidade e que pensem muito antes de aceitarem os tratamentos propostos, principalmente quando envolverem antiinflamatórios, cirurgias e cortisona, enquanto faltar convencimento de que este é o melhor caminho.
     Até mesmo nos casos de um reumatismo corretamente diagnosticado e não um pseudo-reumatismo, o empirismo (dados coletadados pela experiência prática) bem como a ciência, tem mostrado a grande eficácia de práticas ditas como “alternativas”, tais como acupuntura, homeopatia, fitoterapia e a própria fisioterapia baseada em exercícios terapêuticos, uma vez que ao contrário dos exercícios fisicamente condicionantes de esportes, são antiinflamatórios e analgésicos.
     Espero ter contribuido para esclarecimentos diversos.

DR ADILSON MOREIRA
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