Falamos sobre saúde e direitos sexuais e reprodutivos nos dois últimos artigos – o lado positivo da sexualidade. Porém, infelizmente, nem tudo são flores. É muito frequente o desrespeito a esses direitos. Quando uma pessoa não pode exercer seus direitos sexuais, uma das possíveis consequências é adquirir uma disfunção sexual.
     A descoberta inconsciente do prazer se dá desde o nascimento, durante o mamar, através da forma como a criança é tratada, cuidada, através dos sentimentos transmitidos pelo olhar da mãe e do pai, etc. O desenvolvimento natural da criança faz com que ela descubra como é agradável e prazeroso tocar seus genitais. É uma experiência rapidamente vista pelas pessoas que cuidam dela, e que provoca alguma reação em tais pessoas – uma delas é tirar a mão da criança dos próprios genitais. Em virtude da necessidade da criança pequena estar a maior parte do tempo de fraldas, os momentos do banho e da troca das fraldas são praticamente o único tempo “livre” para a criança elaborar psiquicamente com mais liberdade a própria sexualidade no que diz respeito a tocar-se. Mas, quando a criança deixa de usar fraldas, calcinhas e cuecas são bem mais fáceis de serem retiradas. Então, entra em ação a célebre frase “tira a mão daí.” Todo o processo educacional, desde o nascimento, vai interferir na forma como cada pessoa constrói seus conceitos, sentimentos, modos de se relacionar com a própria sexualidade e com a sexualidade alheia, podendo trazer benefícios e malefícios.
     Disfunção sexual significa que o organismo não está funcionando sexualmente como poderia. Existe algo que impede seu funcionamento pleno. A origem de uma disfunção sexual pode ser biológica e/ou psicológica. É comum investigar primeiro se a causa é fisiológica, pois o diagnóstico costuma ser mais fácil e rápido. Caso negativo, parte-se para a investigação psicológica, que é mais delicada e sutil, e comumente tem origem numa educação que restringiu significativamente a livre expressão da sexualidade.
     As disfunções sexuais são:
• Inibição de desejo – a pessoa não sente desejo sexual, não sente vontade de manter relações sexuais.

• Vaginismo – a mulher contrai involuntariamente o músculo da vagina, fechando totalmente este canal.
• Dispareunia – a pessoa sente dor durante o ato sexual.
• Disfunção erétil – o homem não consegue manter a ereção, parcial ou totalmente, antes e/ou durante a penetração.
• Ejaculação precoce – o homem não tem controle sobre a ejaculação, não consegue evitar que ela aconteça.
• Ejaculação retardada – o homem não consegue ejacular, mesmo quando assim o deseja.
• Anorgasmia – a pessoa não consegue chegar ao orgasmo, apesar de estar devidamente excitada e estimulada.
     Como já falamos, o prazer sexual é um presente que recebemos da Criação. Todas as pessoas, indistintamente, nascem com desejo sexual e com potencial orgástico. Mas a educação sexual que historicamente mulheres e homens têm recebido dificulta significativamente usufruir da dádiva divina.   Os homens são praticamente obrigados a demonstrar sua virilidade 24 horas por dia. As mulheres não podem externalizar publicamente seu desejo sexual para não serem “mal vistas”. Ele “tem que”. Ela “não pode”. Ambos não podem realizar o que de fato desejam. Precisamos, sim, continuar revendo nossos valores sobre prazer sexual e relação sexual, pois este encontro sublime tem o poder de transformar positivamente cada pessoa, de regenerar células, de dar vida, literalmente, a quem se permite vivenciar humilde e respeitosamente uma das mais belas experiências humanas. Viva a plenitude!
     Um beijo carinhoso,

Cristianne Magalhães 
mora no bairro é Educadora Sexual,
com Pós-graduação em Sexualidade Humana cristiannem@circuitolargodomachado.com.br