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Domitila esbarrou no fogão, na ponta maior da lenha que estalava no braseiro, tomou um susto danado com o barulho dos carvões esparramando estrelas encarnadas. Esticou as mãos pra frente em busca da mesa onde estavam os óculos, já de pouca serventia, mas melhor que nada, até poder ir a Itambé pro mode aviar uma lentes novas.
E o Nezim, d'isconjuro, que nunca chega pra me levar no posto de saúde!
Deve estar pastorando as raparigas do Bolero Azul ou sinão, bebendo com as vadias lá da Risina, bem ali em Poções. Faze male não, quando ele aparecer com dengos de “ó minha Dó”, “ô flor do meu coração” e outras parlapatices pra me adular, deixa estar meu mequetrefe que eu vou te dizer umas poucas e boas... E não me chame de Dó porque eu sou é Domitila Guimarães, senhora e dona dessa fazenda Uruçú, mãe de vinte filhos e mais vinte netos, viúva de quatro maridos, que Deus os tenha, e que não tenho saudades nenhumas...
De modos que não sou eu quem vai amolecer o cangote por esse traste, Nezim de Valdemar, aparentado por detrás da serra, nem bem sei por parte de quem. A família é grande, já não tenho cabeça pra lembrar de todo mundo, parentada de cobras, todos dizem que parente é serpente, pois então, até os filhos dão seus botes e suas mordidas, não se importam com as nossas dores.
Oxente, apois o Nezim não vem mesmo hoje, então vou tratar de mandar arriar o carro de boi pro mode de ir lá na cidade, vou eu e o Zé Candieiro, noves fora essa mile maldiçoada nas vistas, eu me garanto em tudo por tudo.
- Ô de casa.
- Ô de dentro (quem será a essa hora, meidia a pino, hora
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