JOSÉ DE OLIVEIRA LIMA

QUEIXAS

Amiga, por que partes? Vais embora?
Vais me deixar cansado, fastigado e só?
Não vês que bate e chora um coração?

Vivendo tristemente minha sina,
Sofro de amor, sofro sem ti, menina,
Não... não me deixes não!

Como pode faltar contentamento,
Onde sempre houve paz, sem sofrimento,
Livre de ódio ou de qualquer paixão?

Por que tanta tristeza de repente?
Por que tanta maldade nessa gente?
Ah!... Não me deixes, não!

Sinto-me de todo relegado...
Leva-me a vida igual a um cão jogado
Sem dó, sem compaixão.

Contudo, percebendo que és divina,
Eu te faço um apelo nesta rima,
Não me deixes, não

Como se pode viver tão desprezado?
Tão só, por ti abandonado,
É grande a solidão.

Como simples folha seca do caminho,
Sou levado pelo vento, sem carinho,
Sem sorte, sem razão.

Não partas!... tem pena do meu pranto.
De que vale viver, se o desencanto
A mim se agarra como um vil ladrão?

É triste o sofrimento nesta vida...
Não podes me esquecer assim, querida,
Fica!... Não me deixes não!

Debalde! enfim partistes.
Entre nós dois só a saudade existe,
Mil devaneios que me envolvem mais.

A ansiedade brota em meu caminho,
Enquanto fico na amplidão do ninho,
Envolto na tristeza dos meus ais

Os insultos de cupido me consomem.
Não há lugar que traga paz a um homem,
Quando a saudade o persegue e a ânsia mata

Envolto no meu sonho e na tristeza
Despedindo-me de ti, busco a nobreza
Que me comove e acata.

E assim, premido pelas juras de um passado,
Junto as cinzas desse idílio terminado,
Matei minha ilusão e digo:

Adeus querida, adeu amor, adeus saudade;
Adeus ninfa dos meus sonhos malogrados,
Adeus meu coração, adeus!