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Três doses de uísque. Mas Vinícius ainda se via incapaz de realizar o que sempre sonhou. Fez toda uma vida, construiu toda uma história, seguiu rigorosamente todos os passos que pensava serem necessários para ser bem sucedido em seu objetivo. Via-se à beira de um abismo, de frente para o nada, no fim do túnel, no fundo do poço. Eram tantas as coordenadas que não havia cristão que não se perdesse. Não sabia bem por que toda uma vida de trabalho havia-lhe negado um resultado que, para ele, não seria mais que o justo. Não seria ele bom o bastante? Ou, não teria sido a vida boa o bastante para ele? Não sabia a resposta.
A sabedoria popular sempre aconselhou Vinícius a nunca desistir de seus sonhos. Foi apostando nisso que Vinícius insistiu o quanto pôde em alcançar o que sempre almejou. Não foi por falta de tempo investido, nem mesmo por falta de suor que ele se sentia, agora, frustrado e odiando com todas as forças a sabedoria popular.
Vinícius já não estava mais tão jovem e, sentia, como nunca, a passagem incoercível do tempo. Um tempo que fazia brotar em Vinícius não apenas a frustração de um desejo não realizado, mas também lampejos de novos planos que surgiam silenciosos.
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